livro-arte post-rupestre sem fronteira
Um projeto editorial alternativo de livros artesanais, sem fronteiras! Editora ecológica.
Os livros da Editora Alternativa Katarina Kartonera são basicamente feitos à mão, exclusivos, frutos de uma consciência político-social de inclusão, que recicla materiais, como os papelões, recuperando-os ecologicamente e vinculando na produção e comercialização a participação de escritores, catadores e interessados por confecções de livros artesanais.
Oficinas; ensinamos o método para confecções de livros cartoneros, artesanal, com capas de papelão e que por isso mesmo numca se repetem. Igualmente realizamos exposições. Fale conosco! http://katarinakartonera.wikidot.com/contatos
Acessem nosso catálogo http://pt.calameo.com/read/000754887478458392cc1
Salão Internacional do Livro (12 de maio)
UNILA participa do evento com oficina, debates, apresentações culturais e lançamento de livros, entre eles Trajeto Kartonero, ed. Katarina Kartonera, por Evandro Rodrigues
http://www.unila.edu.br/noticia/sal%C3%A3o-internacional-livro
Salão Internacional do livro de Foz do Iguaçu, dia 12 de maio de 2012.
Evandro Rodrigues, entre outros, é convidado da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Tema: “Do artesanal ao virtual: consumo e produção literária no século XXI”
Programação evento http://www.unila.edu.br/noticia/sal%C3%A3o-internacional-livro
Leitura sobre o movimento internacional promovido pelos coletivos cartoneros Animita Cartonera (Chile), Atarraya Cartonera (Puerto Rico), Barco Borracho (Argentina), Caracoles y kurupis (Uruguay), Cartonera Cohuina (México), Cartonerita Solar (Argentina), Casamanita cartonera (México), Cizarra Cartonera (El Salvador), Dulcinéia Catadora (Brasil), Eloisa Cartonera (Argentina), Felicita Cartonera (Paraguay), Katarina Kartonera (Brasil), kutsemba cartão (Moçambique), La Cartonera (México), La propia cartonera (Uruguay), Luz Azul (República Dominicana), Mamacha Cartonera (Colômbia), Mandrágora Cartonera editorial (Bolívia), Matapalo Cartonera (Equador), Mehr als Bücher (Alemanha), Mburukujarami Kartonera (Paraguay), My Lourdes Cartonera (El Salvador), Nicotina Cartonera (Bolívia), Otracosa Cartonera (Peru), Patasola Cartonera (Colômbia), PoesiacomC (Suécia), Regia Cartonera (México), Santa Muerte Cartonera (México), Sarita Cartonera (Peru), Textos de Carton (Argentina), Ultramarina Cartonera (España), Yerba Mala Cartonera (Bolívia), Yiyi Jambo (Paraguay) etc
Imagem: la ratona cartonera, México http://www.laratonacartonera.blogspot.com.br/
KUTSEMBA CARTÃO*nasceu em Moçambique em abril de 2010, seguindo o modelo plural das editoras «cartoneras» que se têm disseminado por toda a América Latina desde 2003, e participando da sua consciência político-social de reciclagem e trabalho comunitário. Com esse objectivo em mente, propôs-se desenvolver projectos na comunidade através da sua inclusão em ateliers de manufactura de livros, assim como noutras actividades educacionais. Nos primeiros oito meses após a criação de Kutsemba foram lançados 16 títulos nas colecções de Teatro, Narrativa, Ficção, Poesia, Literatura Infantil e Contos Orais. Publicaram-se livros em português, mas também foram feitas algumas edições em espanhol, inglês e changana. O intenso trabalho realizado por Kutsemba Cartão não teria sido possível sem a generosidade dos autores que cederam os direitos de publicação das suas obras; sem o decisivo apoio da Embaixada de Espanha em Moçambique; e sem a valiosa ajuda de «cartoneras»-irmãs na América Latina, sendo as que maior destaque merecem Katarina Kartonera e Dulcinéia Catadora no Brasil.
- «Esperança de cartão», «Confiar no cartão»… «Esperança» e «confiar», são alguns dos vários significados da palavra «kutsemba» em língua tsonga (changana), uma das mais faladas no sul de Moçambique.
Meninas Cartoneras Editorial, Madri-ESP
(Religião POLÍTICAMENTE INCORRECTA: Meninas Cartoneras es la primera editorial cartonera en España. Una editorial cartonera que reúne RECICLAJE, LITERATURA Y EXPRESIÓN PLÁSTICA. El compromiso social es lo que completa nuestros principios.)
vem aí en katarina kartonera
XUPANDO
XILOKONA
XÔ®XÊ Ka:
miniantolojìa
autoerôtika
provisoria
(por Jorge Canese, escrito em yopará, língua híbrida de guaraní com espanhol usada em Assunçção-PY)
TRIPLEFRONTERA DREAMS, dy Douglas Diegues, na Katarina Kartonera (en portunholito selbajem!)
Trajeto Kartonero, por Evandro Rodrigues, aparece agora na versão livro em cartón
baixa aqui http://katarinakartonera.wdfiles.com/local--files/inicial/trajeto%20kartonero.pdf
PREFÁCIO
Desejo e escritura
O livro de Evandro Rodrigues oferece um registro bastante detalhado das editoras cartoneras que começaram a surgir na América Latina no início dos anos 2000, publicando livros artesanais, feitos com capas de papelão recolhidos por catadores de lixo. Hoje, já são aproximadamente quarenta, espalhadas por vários países, e cada uma delas, diz o autor, se manifesta “similarmente como aquele primeiro modelo editorial [o da editora Eloisa Cartonera, da Argentina], ampliando tal exercício poético, ecológico, cultural, político e filosófico”.
Evandro Rodrigues, ele mesmo, é o editor de uma cartonera, a Katarina Kartonera, com sede em Florianópolis. Evandro define sua cartonera como “um projeto editorial de caráter literário, filosófico e artístico, de vanguarda, com um pensamento sem fronteira, autônomo, sem vínculo oficial institucional algum. A proposta segue basicamente os padrões de outras cartoneras sul-americanas […]” Neste livro, Evandro chama a atenção para o fato de ser ele próprio autor de um livro cartonero, desse modo ele se põe no texto em todos os sentidos, já que é parte de seu objeto de pesquisa. E agora publica sua pesquisa no formato cartonero!
Em Tempo de pós-crítica, Eneida Maria de Souza afirma que, num texto onde o autor se confunde com o objeto, corre-se “o risco de apresentar um relato no qual o sujeito-autor se manifesta de forma neutra, na ilusão de apagar as marcas do vivido – ou abandona-se à declaração da interioridade, tecendo narcisicamente o enredo de experiências.”
Evandro não se enquadra nesses casos: ele opina e se insere no texto, conta suas experiências, mas não de forma narcísica – ele olha no Outro, preservando sempre o “desejo da escritura”, na expressão de Roland Barthes:
O trabalho (de pesquisa) deve ser assumido no desejo. Se essa assunção não se dá, o trabalho é moroso, funcional, alienado, movido apenas pela necessidade de prestar um exame, de obter um diploma, de garantir uma promoção na carreira. Para que o desejo se insinue no meu trabalho, é preciso que esse trabalho me seja pedido não por uma coletividade que pretende garantir para si o meu labor (a minha pena) e contabilizar a rentabilidade do investimento que faz em mim, mas por uma assembléia viva de leitores em quem se faz ouvir o desejo do Outro (e não o controle da Lei).
A respeito do ensaio de Evandro, cabe muito bem a seguinte opinião de Eneida Maria de Souza: “a dificuldade em escolher o tom e a justa medida quando o indivíduo se propõe falar de si deve-se, em parte, ao recalcamento sofrido pelo sujeito da enunciação do discurso crítico, até então voltado para a busca do rigor científico.” Evandro segue seu propósito de apresentar as cartoneras e a si próprio, porém longe de sofrer esse tipo de recalque. Ele não se sente acuado diante do “código convencional da escrevença”, como diria Barthes, nem se crê falsamente exterior ao objeto de estudo.
Segundo Barthes, a propósito, “talvez já esteja na hora de abalar uma ficção: a ficção que quer que a pesquisa se exponha, mas não se escreva.”
Quanto às editoras cartoneras, objeto de estudo de Evandro, elas são definidas por ele como uma arte “mobilizadora de ações, intervenções e contatos” que invade as cidades, “melhorando a autoestima de alguns indivíduos marginalizados, transformando lixo em luxo, arte representativa em arte relacional, literatura individual em ato coletivo, seja nas ruas ou em eventos.” Evandro parece buscar daí a força de sua escrita, que é tecida com a autoestima de quem conhece o objeto de perto e ganhou experiência com ele.
Outro ponto que destaco na sua pesquisa, fruto de uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Santa Catarina, é ser seu texto duplamente utópico. A utopia está presente na sua escritura, ou seja, “na paixão presente” no texto, que a instituição de um modo geral não está pronta para dar a um estudante, embora deseje isso de seu pesquisador — aí está “apenas um pedacinho de utopia”, diria Roland Barthes.
A utopia também aparece na abordagem de seu objeto de estudo. Segundo Evandro (outros simpatizantes cartoneros compartilham dessa mesma opinião), a função das editoras seria o de “difundir literatura de maneira democrática e acessível”. Lê-se no seu ensaio que,
o livro na óptica do lucro, financiado pelo capital privado, não passaria de objeto de consumo, desbotado de seu valor cultural e artístico. A produção de livro em massa exclui certos textos, contextos e escritores, ficando estes não autorizados pela competitividade imposta. Os marketings dessas empresas desvalidam qualquer outro produto não autorizado, discriminando as formas não consagradas.
As cartoneras lutariam justamente contra isso, mais um sonho quimérico, e nem por isso menos importante, de escritores de países latino-americanos.
O escritor Wilson Bueno, morto recentemente, foi um membro muito ativo do movimento cartonero e confirma o discurso de seus simpatizantes. Numa se suas entrevistas, levantadas por Evandro, ele afirma:
tenho cedido meus direitos autorais aos cartoneros de vários países, pois sou um guevarista hasta la derradera ternura. Não confundir com castrismos autoritários e stanilistas, por favor. A utopia do Che é mais para o Cristo do que para o Lenin ou para os sórdidos irmãos Castro. Guevara não aprovaria absolutamente nada do que ocorre hoje em Cuba, por exemplo. Escapou da Ilha em tempo, para se doar ao mundo. E morreu na mão de ratos fardados […]
Por fim, não poderia deixar de mencionar a expressão “vanguardismo primitivo”, usada por muitos, entre os quais Douglas Diegues, figura fundamental do movimento cartonero que se expressa em portunhol selvagem, para classificar as produções cartoneras. Quando perguntado sobre o significado da expressão, Diegues afirmou:
non significa nada. Y pode significar algo. Algo no plural. Algo que non se puede explicar sem reduzir a algo. La energia original de los Orígenes. El poder de la inbención de las palabras sinceramente sinceras. Algo que non pode ser reduzido a um pensamento único. O antigo y el agora a la vez. El futuro mezclado al passado en un libro. La inbención en vez de la cópia. La liberdade sem nome. La liberdade ensaboada. La liberdade xamanístika celebratória de la tatoo ro' ô de la vida. El verso a las vezes como un besso sinceramente sincero que nim las mais hermozas y caras bandidas vendem. El freskor de llamas y rocio de las mentiras verdadeiras escritas ou pintadas com la sangre del próprio korazón.
Evandro é seguramente um vaguardista primitivo, faz do ensaio uma poesia, um manifesto, um discurso político e panfletário cheio de “mentiras verdadeiras escritas ou pintadas com la sangre del próprio korazón”.
É com as palavras de Evandro, ao anunciar a chegada das cartoneras no centro da cidade de São Paulo, que convoco os leitores a participar da leitura desse ensaio: “Chamamos as pessoas com megafone. Começa a oficina. Pessoas de todas as idades se aproximam; curiosidade, pincéis e tintas sobre a tábua apoiada em cavaletes”.
Dirce Waltrick do Amarante
Evandro Rodrigues, editor responsável Katarina Kartonera, entregua livros da coleção infantil KK para acervo da Biblioteca da escola Criativa Idade, Poços de Caldas- MG (01/01/2012)
HORA DA VERDADE
A barca Katarina Kartonera mantém seu projeto itinerante. Agora em Poços de Caldas-MG estremece o vulcão adormecido. Todo poeta canta sua terra. Entre outros, Carlos Drummond de Andrade cantou sua querida Itabira, em Boitempo(1968). Assim seu conterrâneo Wiliam de Oliveira ousou sobrepor seus limites, e após longo período dedicado à educação, professor universitário, e ao jornalismo, ataca com crônicas poéticas, mesclando prosas e versos. Em Poços descreve com ironia e pitadas de sarcarmos o cotidiano e a geopolítica de sua cidade natal. É um olhar para o passado e a descrição sutil de seu presente. Caudaloso e vivaz relata com propriedade a vida de figurantes e personagens marcantes do lugar onde vive. Fica o registro de uma das paisagens mais belas do Brasil. Oliveira sintetiza e pinta um quadro para ser pensado e interrogado pelo leitor atento. Desvela em linhas um subterrrâneo que transborda e evapora, alimentando ainda mais o imaginário, uai. Vale muito a pena ler.
Poços
Ao andar por tuas ruas, difícil não enxergar o que a janela descortina.
A beleza dos teus jardins, dos recantos que a natureza criou. A majestade das Thermas, a imponência do Palace Casino, a perfeita sintonia das mãos do homem, no Cristo Redentor, com a Serra de São Domingos, escultura do criador.
Contudo, inexorável é o crescimento. Novos prédios surgindo, na verticalização que segrega ainda mais a horizontalidade dos que se sabem iguais. Avenidas se ampliando como veias de asfalto a percorrer o teu corpo. A velocidade dos passos, contrastando com a mansidão dos que se aposentam nos bancos nas tuas praças. O trafegar das charretes e o bilhete eletrônico no transporte coletivo.
É Poços, tu crescestes muito e os trilhos da Mogiana são hoje linhas amareladas no livro da tua história.
Mas, nessa pororoca entre o passado e o presente é que vemos surgir uma cidade diferenciada. É na junção do que é visto como antagônico, a indústria e o turismo, a calma e a pressa, o antigo e o novo, a criança e o velho, das águas que brotam das tuas fontes e do fogo que, no subterrâneo, aquece as tuas águas, que te fizestes assim, Poços, democraticamente divina.
Abre teus braços e, hospitaleiramente, acolhe os que buscam apenas a tranquilidade em um final de semana.Tu és bucólica e artesanal.
Agasalhas também os que apostam aqui suas fichas no futuro, quer nas universidades que se proliferam em teu solo, quer nas empresas que se instalam em teus bairros.
Tu és desenvolvimento e modernidade.
Tens a sabedoria de que os opostos não se dividem. Eles se somam, se complementam, se integram como o sol e a lua, o dia e a noite, a rosa, símbolo da tua beleza, e os espinhos, representação das tuas deficiências.
Tens a beleza de menina, na maturidade da mulher.
És Caldense! És Vulcão!
És Mcdonalds, és Vagão!
És Casa da Cultura, és Manhattan!
És rua Assis Figueiredo, és rua Padre Henri Mothon!
Poços, tu és, diabolicamente angelical!
Sobre o autor: Wiliam de Oliveira, jornalista, professor do Centro Universitário Unifae, apresentador do programa Hora da Verdade (TV Poços), autor dos livros Hora da Verdade e outros textos fora de hora, 2008, e Ver a cidade, 2012.
Ops.: As capas desta edição foram elaboradas pelo artísta plástico e maquetista Eurico Aguiar, nascido em Juiz de Fora e radicado em Belo Horizonte. Atualmente em Poços de Caldas realiza exposições com pinturas clássicas de traços expressionistas. Tem destaque na reprodução de maquetes sobre Nova Iorque. Ver em www.aguiarartes.wordpress.com
Histórico http://katarinakartonera.wikidot.com/eventos
















